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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Re-postando

Oi, meninos. Aqui vai novamente a publicação de alguns textos meus. Muito obrigado.

Festa de Casamento

Luís Cláudio Ragioto

Sou filho da Ditadura. Quando nasci, um mês antes do Ato Institucional número 5, o famoso AI5, o país atravessava um momento difícil. O Regime Militar limitava a liberdade das pessoas através da censura e de outros meios não tão legais como se fazia supor. Havia uma resistência, principalmente dos intelectuais e a música servia também como meio de manifestação social e crítica ao Governo. Era a época dos grandes festivais de música popular brasileira, da vitória na Copa do Mundo no México, e o mundo ficou maravilhado com aquela seleção que tinha, entre outros nomes, Pelé, Jairzinho, Gérson e Carlos Alberto. Mas este texto não vai falar desse período, mas sim de um episódio de minha infância, sobre o qual as lembranças já não parecem ser reais.

Filho de pessoas humildes e com numerosos parentes (meu pai tinha nove irmãos e minha mãe, 11), cresci alheio aos acontecimentos do mundo, vivendo em um mundo feliz sem grandes complicações.

Naquela época, as coisas eram bem mais difíceis e tomar um refrigerante era em ocasiões especiais. Um iogurte a gente só via quando ficava doente, e olha lá. Por isso, as festas de casamento, os batizados e velórios eram festejados. Nos casamentos, tínhamos a oportunidade de comermos pão com carne moída, uma verdadeira iguaria aos olhos de uma criança. Mas o momento mágico era quando podíamos tomar uma sodinha. Havia todo um ritual. Pegávamos a sodinha e logo alguém aparecia com um prego para furarmos a tampinha. Que delícia era sentir o gás entrando pelo nariz e descendo queimando a garganta!!! O engraçado era que ninguém pegava tétano.

E foi num acontecimento desses que conheci a história que vou contar para vocês. Juro que tudo é verdade, e que, no máximo, vou exagerar um pouquinho.

Era o dia do casamento do Tio Anjo (Ângelo, na verdade, o irmão caçula de meu pai). A gente comia aquele macarrão típico italiano, com muito molho e almôndegas suculentas, já que o casamento no civil tinha sido de manhã e só haveria o almoço.

Tudo corria bem até que alguém resolver abrir a caixa de pandora da família e liberar aquelas histórias que a gente tenta esconder as todo custo mas não adianta: tem sempre alguém que lembra.

Como disse, não sei quem, lembrou da época em que a Tia Merca (América para os íntimos) estava grávida e resolveu ter um daqueles desejos que só grávida tem. Bom, durante minha vida, vi todo tipo de histórias: teve a do cara que atravessou a cidade a pé com uma melancia nos braços; a do outro que saiu de madrugada (quando só os bares ficavam abertos) para comprar chocolate para a esposa, de moto, numa noite de inverno chuvosa e gelada e comprou o chocolate errado, mas a vontade da tia Merca nunca foi superada.

Bom, foi assim: Meu avô tinha uma cadela daquelas policiais. Eu explico. Pobre chama de cachorro policial aquele que é grande, peludo, preto e tem tanta mistura que só se sabe que é um cachorro, raça mesmo, não tem. O nome dela era Diana. E ela era brava feito o cão (com o perdão do trocadilho!). Ninguém chegava perto da cadela, a não ser o Tio Miro (Valdomiro, de nascimento), que era quem a alimentava. Nem meu avô conseguia fazer isso.

Num belo dia de verão (adorei essa sentença), a cachorra escapoliu da corrente e voltou no final da tarde, toda machucada e com a parte inferior da mandíbula inchada, depois de sua curiosidade canina tê-la feito morder uma colmeia de abelhas que havia caído de uma árvore que ficava no quintal de minha avó. Como ela era negra como a noite, ficou com uns beiços gigantes e brilhosos. E mais cachorra do que nunca.

A Tia Merca, como ia dizendo, teve uma vontade de grávida.... Cismou de morder a boca dela (assim mesmo, um cacófato). Em vão, os irmãos e minha avó tentaram fazer com que desistisse dessa ideia, mas nada deu resultado.

Então, pensou-se o impensável e um plano foi arquitetado: os cinco irmãos iriam segurar a cachorra para que minha tia mordesse aqueles suculentos beiços inchados. Dirigiram-se contra aquele animal assustado, acorrentado e confuso. Pela frente, o Tio Miro. Pelos lados, o Tio Anjo (Ângelo) e meu pai, o Nego (Osmar) e, por trás, o Tio Kilau (o Claudomiro). O Tio Dema tinha que trabalhar naquele dia e por isso não estava. O marido da Tia Merca, o Tio Romeu (Romeu mesmo: esse não tinha apelido), disse que não tinha nada a ver com isso e ficou sentado na soleira da porta, ao lado de uma cerveja e com um cigarrinho na boca, rindo de tudo aquilo. A favorecida, a Tia Merca, ansiosa, dava ordens para todo mundo ao mesmo tempo.

Tudo corria bem. Todos executando muito bem sua tarefas, mas Diana, do alto de sua sabedoria canina, resolveu perverter a ordem das coisas e questionar os poderosos. Num acesso de raiva e ferocidade inesperada (pelo menos para os humanos ali presentes), ela rompeu a corrente que a segurava e disparou contra seus agressores. Foi uma loucura. Imagine quatro homens enormes e uma cachorra, todos tentando cuidar de seu bem-estar. Na frente, o Tio Kilau correndo e desviando sua bunda das dentadas da cadela. O meu pai, fugindo para o outro lado, não viu o Tio Anjo parado, com a expressão catatônica, e o atropelou. Calculo que ele deve ter sido jogado a uns três metros de distância, caindo de costas sobre o chão batido de terra do quintal da casa da Vó Ana.

Pega ela Nego, gritava a Tia Merca. O tio Romeu, dando gargalhadas, nem lembrada a sua cerveja e as outras mulheres todas reclamando do poeirão que a correria dos homens levantava.

Isso tudo durou algum tempo até que, cansada, exausta e conformada com a sua situação de evidente inferioridade mental, afinal, o que tem demais uma mordidinha no beiço, Diana desistiu de correr e se entregou. Foi agarrada e levada á força para seu carrasco. A Tia Merca, babando, olhou aqueles beiços deliciosos e tascou-lhe uma dentada. Todos ouviram o gemido surdo, graças à boca fechada à força. Ouvindo os homens contando o evento durante o almoço, tive a impressão de que aquela cena durou muitos dolorosos.

Passada a vontade, minha tia abandonou a boca de Diana e os homens a soltaram. Quando se viu livre, a indefesa cachorra desapareceu através do pomar. Anjo, Miro e meu pai finalmente descansaram.

Tudo voltou à normalidade até que perceberam que um dos irmãos não estava presente. Durante dois dias, procuraram o tio Kilau por todos os lados e nada. Finalmente, no finalzinho da tarde, ele apareceu. Estava todo arranhado, machucado, com a roupa rasgada. Sobre o que aconteceu, ele não disse nada. Mas o mais estranho de tudo é que ninguém entendeu o que acontecera com uma paineira que apareceu com os galhos quebrados e toda cheia de marcas.

Regina,Meu amor.

Olá meninos. Pois é. A vida prega peças na gente e não acreditamos nela. perdi meu amor dia 04 de janeiro de 2012. Linda e forte, infelizmente perdeu a guerra contra o câncer. Por isso,escrevi este texto. E, aproveitando, vou republicar meus textos. Beijos a todos.

Doce Janeiro

Luís Cláudio Ragioto

Não me lembro bem por quê, aliás, memória nunca foi meu forte, mas estava em Curitiba. Era o ano de 1985. Acho que viajei com minha mãe em visita aos parentes que moravam lá. Bom, em segredo, eu tinha motivos suficientes para querer estar lá, e por isso todo o resto é irrelevante.

Meus motivos eram longos cabelos louros, olhos castanhos claros, vivos ao extremo, um grande e delicioso sorriso, marcado pelos dentinhos da frente ligeiramente tortos, um charme especial, que atendia pelo nome de Maria Regina. Ela foi a mulher que amei verdadeiramente. Não que não tenha amado outras, mas a ela entreguei meu coração completamente e com ela dividi minha alma. Para completar, ela me deu dois filhos lindos.

De temperamento forte, tinha o dom de agregar pessoas para trabalhar com ela. Não importava o que fizesse, ela se dava bem. Professora de catequese na adolescência, líder nata, contadora por profissão e professora por amor, deixou um legado que levará anos para ser esquecido.

Bom, vamos voltar ao ano de 1985.

Eu já tinha 16 anos, e ela completaria 15 em fevereiro. Estávamos em janeiro.

Já contei que era apaixonado por ela?? Não?? Bom, eu era. Não sabia, ainda, o que tudo aquilo significaria no futuro, mas a amava.

Amante da poesia de Mário Quintana e leitora ávida, havia escrito um caderno de poesias no ano anterior. Na verdade, Reuniu os mais belos poemas dos mais diversos poetas: Drummond, Quintana, Vinícius, Pessoa. Guardava aquele caderninho com muito carinho, afinal, era seu tesouro.

Enquanto ela era uma menina precoce, doce e inteligente, eu era um garoto bobão, presunçoso, metido. E confesso: galinha.

Mesmo assim, ela foi capaz de me amar.

Dia desses, minha filha encontrou esse caderno de poesias. Fiquei feliz, pois nem me lembrava dele. Ela o leu, adorou as poesias. Perguntou sobre ele. Aí, me mostrou uma coisa que me deixou muito feliz. No caderno há uma dedicatória:

“Luís Cláudio,

Que este caderno seja guardado com todo amor e carinho.

Que, cada vez que o ler, lembre-se de mim. De quem te quer muito.

Maria Regina.

04/01/1985.”

Uma ironia feliz, pois ela partiu para os Céus com toda serenidade 27 anos depois, no dia 04/01/2012.

Que Deus te abençoe, meu amor. 25/01/2012.

sábado, 15 de outubro de 2011

RPG ou diversão virtual

Conheci os famosos RPG (de cuja tradução não tenho certeza, mas que chamo carinhosamente de jogos virtuais) há três anos. Um dos primeiros foi o Icarian, de montar uma cidadezinha numa ilha, quase legal. Depois foi o Tribal Wars e ultimamente, retomei o Perfect World, no qual tenho um barbaro e um místico (levaria um tempo para explicar...).
O chato é que tenho mais de quarenta e jogo com meninos e meninas que podem ter as mais variadas idades, mas a maioria é formada por garotos. É um jogo de interação, afinal, jogo on-line com outros jogadores do Brasil todo. É possível realizar tarefas sozinho ou acompanhado de amigos ou até mesmo de desconhecidos. É um jogo legal. Todos os jogos de RPG são legais (alguém sempre dirá isso, não se preocupe).
O fato é que envelhecemos. lembro que regulava a hora no display do videocassete que tínhamos. Agora, tenho dificuldade para tirar aquele maldito som inicial do meu celular.
Hoje, somos rodeados por nomes e siglas estranhos: Ipad, Ipod, Iped, Iphone, Tablets, Xbox, PSP e muito mais.
Para finalizar, parodiarei Cecília Meireles: em que espelho ficou perdida a minha face?

domingo, 9 de outubro de 2011

a internet e a distância

Oi. dia desses, ouvindo o programa Fim de tarde, na CBN. As discussões giravam sobre a internet e a distância entre as pessoas. Afinal, a internet aproxima ou distancia as pessoas?? Um dos entrevistados disse o seguinte: ela afasta quem está perto e aproxima quem está longe.
É verdade. Ela faz mesmo isso.
E o que é pior? Eu penso que afastar os mais próximos é ruim, já que quase não há mais contato físico entre as pessoas. As pessoas não conversam mais: elas teclam, tuitam, blogam, orkutam e assim vai.
Não há mais calor humano, não há mais sorrisos, não há mais a mão que toca o rosto, o beijo caloroso.
Quando há carinho, tudo é muito instantâneo, frio, puramente sexual. Primitivo.
Aproximar quem está longe é bom, pena que isso afasta quem está perto. Um abraço a todos.

domingo, 18 de setembro de 2011

Ferreira Gullar, lulismo e copa do mundo

Oi. Li hoje o artigo do Ferreira Gullar, cuja publicação dominical tem me atraído cada vez com mais frequência. Nela, o escritor e poeta falava da proximidade da Presidenta (como ela gosta de ser chamada) com o ex-chefe do país e comenta (penso que ele tem razão) que Lula ainda pode estar no comando. Pode ser uma "teoria da conspiração" mas não vou duvidar. Aproveitando, ouvi na CBN sobre as comemorações sobre os 1000 dias (que faltam) para a Copa do Mundo. E o Ministro dos Esportes evitou comentar os atrasos e superfaturamentos nas obras. Preferiu falar sobre o legado da Copa. Gaguejou bastante, parecendo não ter certeza do que estava fazendo.
Confesso: não acredito nele. Um abraço.

PORTINGLÊS (ou como nossos pais)

Oi. Confesso que nunca vi o Fábio JR cantando em inglês, mas o Cristhian, da dupla sertaneja, lembra? esse sim, cantava. E hoje, lendo a folha de São Paulo, vi que há brasileiros cantando à americana (haha, existe essa palavra?) como Justin ou Lady Gaga. Lu Alone e Torino são exemplos disso: esperam fazer sucesso cantando na língua de Obama (ia escrever Shakespeare, mas quis inovar). O pior é que ouvimos, felizes, e até cantamos ao estilo Beioncé, e, ainda por cima, desprezamos o bom e velho português (eu me refiro à língua, naturalmente).
E o que tem isso de novo?Na verdade, isso faz parte daquela situação comum de revisitarmos o passado, (re)lançando moda. Assim foi com a minissaia, a calça de cós alto (que está voltando).... Resumindo, somos como nossos pais e repetimos os mesmo erros.
E sabe, eu me lembrei daquela foto que tirei, um dia, em meu passado, com minha linda calça boca de sino, ao estilo dos anos setenta. Será que ela volta?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Politicamente (in)correto II, a missão

Oi. Estou vendo o filme Watchmen. Sempre que assisto a esse filme, lembro da frase "Quis custodiet ipsos custodes?" que seria de autoria de Juvenal (nome bonitinho: Décimus Iunius Juvenalis), e que, traduzida, significa: Quem vigia os vigilantes? Ele teria dito isso em referência ao poder do Senado Romano de legislar em causa própria. Pois bem, hoje vi na televisão que o Brasil tem 63 impostos e que o brasileiro trabalha 149 apenas para pagar impostos. E ainda por cima, pairam dúvidas sobre nossa capacidade de gastar mais do que devemos. Como assim? Ora, a copa está aí. Já se fala do medo de que gastemos muito mais do que o previsto. com certeza, daqui ha uns anos, veremos que isso será verdade. É só esperar para ver com certeza. Um abraço a todos.